• André Azevedo

Pode o Everton F.C. lutar pelo título Inglês?

A equipa dos Toffees está a ter um início de época fantástico, sendo 100% vitoriosa nos seus sete jogos oficiais. A equipa que lidera a Premier League tem tido um desempenho exemplar e é orientada pelo experiente Carlo Ancelotti desde Dezembro de 2019, detentor de 3 Ligas dos Campeões, assim como conhecedor do que é vencer o troféu da Premier League, o que aconteceu com o Chelsea F.C. em 2009/2010. Terá na próxima jornada pela frente o seu primeiro grande teste da época em Goodison Park, diante do seu arquirrival, Liverpool F.C., num dos mais apaixonantes dérbis do futebol mundial.



Desde 1969 que a equipa da cidade dos Beatles não vencia os quatro jogos inaugurais da Liga Inglesa. Para além das vitórias, o estilo de jogo praticado pelo Everton F.C. tem sido alvo de muito elogios, por aparentemente ser um jogo que agrada particularmente à vista dos críticos. As entradas de James Rodríguez, proveniente do Real Madrid C.F., Abdoulaye Doucouré do F.C Watford e Allan do Napoli são as principais novidades nesta equipa, havendo ainda algumas expectativas com o jovem central proveniente do Norwich City, Ben Godfrey que ainda não se estreou com a camisola dos Toffees.



Considero que a equipa do Everton F.C. está muito bem trabalhada em todos os momentos, mas aquele que me chama mais a atenção é o momento ofensivo, subentenda-se o momento em que a equipa tem a bola, aproveitando para destacar um sub-momento, que se trata da fase de criação, que antecede a de finalização, onde podemos observar movimentos peculiares e de extrema dificuldade para os contrariar estando na pele de quem os defende. O que pretendo destacar é que o facto dos jogadores dos Toffees não se entregarem à marcação, faz com que seja criada uma dúvida no lado do oponente direto, o que os fará perderem a noção do espaço que por sua vez, será concedido para algum dos adversários (Everton F.C.) o explorarem.



Esta equipa quando se encontra no processo defensivo, organiza-se em 1.4.1.4.1., com muitas vezes os médios André Gomes e Abdoulaye Doucouré a saltarem na pressão e com Allan a assumir um papel muito importante a compensar os espaços que surgem em zonas mais recuadas, muitas vezes ocupando o espaço que aparece entre central e lateral ou até mesmo entre centrais, fundamentalmente em situações de cruzamento. No que diz respeito ao sub-momento de impedir a construção, esta equipa procura através de um pressing alto impedir que o adversário entre no seu bloco e que inicie a construção através do seu guarda-redes. De modo a impedir a fase de criação do adversário, a tentativa é clara: pressionar o homem da bola para que esta não fique descoberta e não torne a defesa vulnerável para a profundidade. O pivô defensivo, Allan também é muito importante nesta fase, visto que é preponderante para que o adversário não consiga jogar entre-linhas, nomeadamente entre o setor intermédio e o defensivo. Relativamente à fase de impedir a finalização, neste caso significa que todas as linhas foram ultrapassadas, à excepção do seu guarda-redes, Jordan Pickford, este trata-se de um jogador que tem bons reflexos e forte no um contra um. A recepção de costas para a sua baliza é o principal indicador de pressão por parte dos Toffees.

Continuando na senda defensiva, desta feita no capítulo da transição, se observarmos esta equipa no que se prende com a reação à perda, por norma há uma reação individual (principalmente quando a perda ocorre no corredor lateral e no último terço), que me parece, que mais do que como objetivo primordial de ganhar a bola, serve para que a restante equipa se consiga organizar defensivamente de modo a não ser apanhada em contrapé. Caso esse momento de pressão seja superado a equipa por norma já se encontra recuperada defensivamente, querendo eu com isto dizer, que na maior parte dos casos, têm um maior número de defensores atrás da linha da bola, do que o adversário terá atacantes à frente da mesma linha. Estes comportamentos tornam-se fundamentais para diminuir o número de contra-ataques permitidos aos adversários.

Para terminar a exposição dos momentos em que a equipa de Goodison Park não tem a bola, no que diz respeito aos esquemas táticos, não sendo um momento que eu destaque particularmente nessa equipa, seja no momento defensivo como no ofensivo, não posso deixar de realçar a importância dos dois centrais (Michael Keane e Yerry Mina), assim como o avançado (Calvert-Lewin) destacando-os como as principais referências.


Quando são detentores da bola, tratando-se claramente uma equipa que privilegia a posse e que tenta sempre controlar os seus adversários com bola (isto não significa que o consigam, no entanto tentam sempre controlar o jogo), organizam-se num 1.4.3.3., muito flexível, com laterais muito profundos e que não se inibem de subir em simultâneo, com um meio-campo de 1+2, ou seja, com o Allan nas costas de André Gomes e Abdoulaye Doucouré, sendo um jogador importante no equilíbrio da equipa, aguenta mais a sua posição, pois é preponderante para assegurar a organização da equipa, principalmente após perder a bola. Quando isso não acontece, quando o Allan sobe em demasia a equipa sente dificuldades, principalmente quando o adversário opta pelo contra-ataque, como será possível ver no Vídeo 2. O André Gomes e Abdoulaye Doucouré jogam um em função do outro, pois geralmente quando um baixa o outro está mais alto para receber mais à frente e vice-versa. O trio ofensivo mais utilizado é composto por Richarlison à esquerda, James Rodríguez à direita e com Calvert-Lewin na frente. Desenganem-se os que pensam que os jogadores mais ofensivos nos corredores laterais ficam “presos” à linha, pois a dinâmica da equipa faz com que libertem os corredores externos para os laterais e estes extremos invertidos (jogam do lado contrário ao pé dominante) procuram zonas interiores. O James joga muito por dentro assumindo praticamente as funções de 10 (à semelhança do que acontecia no F.C. Porto, de Vítor Pereira) e quando não é o lateral, Abdoulaye Doucouré muitas vezes compensa fora. A função destes homens é criar e explorar espaços no último terço, a verticalidade e a velocidade é mais explorada pelo Richarlison, o James procura mais movimentos de aproximação e apoio, tendo também maior liberdade criativa para se exprimir e para criar desequilíbrios, e, em certos momentos do jogo vemos o James mais ligado aos médios e Richarlison mais ligado ao Calvert-Lewin. O avançado e principal goleador, Calvert-Lewin é um avançado móvel, que corrigiu um pouco as suas movimentações, deixando de fugir tanto do centro para zonas laterais. Uma das ideias que poderemos ver com mais afinco é o facto de jogarem por fora (atrair a um corredor lateral), para conquistar o espaço dentro ou imediatamente do lado oposto. A ligação mais longa muitas vezes é feita pelo médio do lado da bola, ou até mesmo por parte do primeiro central.

No que diz respeito ao momento seguinte ao ganho da bola, commumente denominado por transição ofensiva, poderemos ver uma preocupação imediata de procurar tirar a bola da zona de pressão, procurando preferencialmente o corredor lateral onde se encontra Richarlison. Reunindo essas condições e verificando que pode beneficiar da desorganização do adversário para imprimir um contra-ataque, avançam de imediato, caso contrario, valorizam a posse e atacam de uma forma organizada. A forma como reagem também é influenciada pela zona do campo onde a recuperação da bola é efetuada.



Vídeos elaborados com o auxílio do Metrica Sports.

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André Azevedo

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