O Impacto da Fadiga Mental

Este estudo procurou descobrir aquilo que atletas e treinadores entendiam sobre o impacto da fadiga mental no desenvolvimento das suas tarefas diárias. Trata-se de um estudo que a meu ver pode ser facilmente adaptado ao Futebol.

 

A fadiga mental é definida por Desmond e Hancock (2001) como um estado psicobiológico causado por períodos prolongados de atividade cognitiva exigente que demonstram influenciar negativamente o desempenho físico. A literatura refere um impacto maior em atividades baseadas em resistência e em tarefas que envolvem um alto grau de habilidade técnica e tomada de decisão (M.R. Smith et al., 2018). As dificuldades existentes em definir o cansaço mental podem explicar por que ele não é avaliado e detetado eficazmente através do treino ou pela equipa técnica.

 

Os atletas e treinadores avaliados acreditam que a fadiga mental afeta negativamente o desempenho desportivo. A análise revelou associações percebidas entre fadiga mental e mudanças no comportamento, tais como: falta de motivação, diminuição do entusiasmo, aumento da emotividade, afastamento social, oscilações de concentração (necessitando de um maior esforço para se manterem focados), por vezes foi denotado alguma falta de disciplina e de atenção aos detalhes. 

 

Relatos do envolvimento excessivo da comunicação social, tarefas repetitivas e prolongadas, a excessiva análise ao desempenho, a instabilidade ambiental e incertezas sobre o futuro foram algumas das causas encontradas. 

 

A experiência e a personalidade emergiram como fatores que contribuem para resultados diferentes de indivíduo para indivíduo, ou seja, atletas mais experientes têm tendência a ter uma maior resistência à fadiga mental. Percebe-se que a fadiga mental não apenas se desenvolve agudamente, mas também se acumula de maneira mais acentuada em ambiente de alto rendimento.

 

Consegue identificar alguma parecença com os casos mais mediáticos a que temos assistido relativos a Equipas de Futebol? Todas essas consequências advém de certas causas, algumas delas aqui mencionadas, no entanto, e no caso específico do Futebol, há uma consequência que ainda não é muito abordada e referida pela literatura, que se chama “fadiga tática”. O que nos poderia dizer muito do que se passa no Futebol quando uma equipa não consegue manter um certo padrão de jogo e consistência ao longo dos 90 minutos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Normalmen­te el martes tenemos el proceso de recuperación, ya que antiguamente cuando comencé (porque mi proceso continúa creciendo, continúa intentando reflexionar y viendo qué es lo que resulta y qué es lo que no) mi preocupación era trabajar tácticamente ya el martes, ejercicio de recuperación con diez contra cero en términos defensivos, en térmi­nos ofensivos... Pero hay una cosa que es fundamental, que es ésta: yo empecé a ver que mis equipos a partir de determinada altura acusaban la fatiga táctica, era tanta exigencia de concentración que llegábamos a determinada altura y los jugadores ya me estaban pidiendo... A veces es preciso desacelerar esto y olvidarse un poco. Entonces comencé a sentir que el entrenamiento del martes tenía que ser más lúdico". 

Vítor Pereira 

(Periodización Táctica vs Periodización Táctica)

 

Face às causas apresentadas e respectivas consequências, surgem no pensamento algumas soluções que obviamente necessitam de ser colocadas em prática para se verificar a sua eficácia ou não. Quando este tipo de problemas surgem numa equipa, em certos momentos existem algumas atuações momentâneas que mexem com o grupo de trabalho e que mudam alguns comportamentos a curto prazo, como é a chamada “chicotada psicológica”. No entanto, e colocando essa solução extrema de parte que nunca é agradável para quem por ela passa, tomo a liberdade de sugerir algumas medidas que vão de encontro ao raio de ação do Treinador. 

Algumas estratégias que podem ser vistas como possíveis soluções, tendo sempre em atenção que poderão existir inúmeras não mencionadas porque tudo é variável e dependente do seu contexto:

  • Evitar o envolvimento dos atletas com “corpos externos” que possivelmente promovam a instabilidade emocional (redes sociais, comunicação social, problemas familiares, entre outros);

  • Dar a mesma importância à recuperação mental e física;

  • Evitar exercícios demasiado repetitivos e longos, optando por vezes por exercícios mais lúdicos que promovam uma interação saudável entre o grupo (Equipa);

  • Promover a estabilidade no ambiente de trabalho (Estrutura);

  • Recorrer a atividades que promovam a capacidade de resiliência face à fadiga mental (Consciencializar o atleta que está sujeito ao seu surgimento, pelo que se deve preparar da melhor forma);

  • Perceber e conhecer qual é o ambiente que tranquiliza os atletas e encontrar um equilíbrio sem que entrar em conflito com o seu trabalho;

  • Formular objetivos realistas e alcançáveis a curto e médio prazo para ajudar a manter o entusiasmo e os níveis de motivação altos;

  • Focar aspetos positivos e potencia-los em detrimentos dos negativos.

 

Para finalizar, acredito que será pertinente desenvolver estudos futuros com equipas de alto rendimento (Futebol) envolvendo a presença diária das redes sociais e tudo aquilo que a informação negativa que elas acarretam influenciam na fadiga mental dos principais intervenientes. Já aqui publiquei anteriormente um Artigo (clica para ver) que aborda a questão da influência negativa das redes sociais na tomada de decisão dos jogadores de Futebol.

 

Link do Artigo: 

https://www.researchgate.net/publication/333060669


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André Azevedo

Assistant Coach ⚽️
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© 2020 por André Azevedo

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